A Última Colheita de Vidro (2025). Assistido num domingo de chuva, o tipo de filme que pede silêncio antes e depois.
O roteiro segue Neusa, uma engenheira agrícola que administra a última fazenda de vidro reciclado do sertão nordestino, num Brasil de daqui a vinte anos onde a água virou item de luxo. O filme não grita distopia a cada cena — ele deixa a poeira, o sol e os silêncios entre os personagens fazerem esse trabalho.
O que mais funciona aqui é a recusa em explicar demais. Sabemos pouco sobre como o mundo chegou até ali, e isso é uma escolha corajosa: o foco é inteiro em Neusa e na decisão que ela precisa tomar sobre vender ou não a fazenda pra uma mineradora.
A fotografia é o grande trunfo: tons dourados e verdes-vidro que fazem cada colheita parecer um ritual. Se tem um defeito, é um terceiro ato levemente apressado — mas nada que estrague a experiência de ver um filme brasileiro de ficção científica que não tenta imitar Hollywood.
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